Uma cadeira, uma cadeira
Grandmother was a fadista
the numbers
- bpm
- 152
- key
- A minor
- energy
- 0.69
- dance
- 0.93
- valence
- 0.44
- vocal at
- 14.9s
- length
- 3:09
- language
- Po
lyrics
Na sala, às nove e sete, havia só o teu casaco no sofá; ao lado da mesa, o vidro em silêncio, e eu vi a segunda cadeira chegar. A madeira riscada, pernas tortas, encostada à parede, sem um som; ninguém abriu a boca na cozinha, mas a casa ficou com outro tom. Passei a mão no encosto frio, como quem confere o sal na pele; tu olhaste para o chão da sala, e eu soube: isto não é novela. Uma cadeira, uma cadeira Uma cadeira, uma cadeira Ficou no quarto sem aviso E eu fiquei a olhar o sitio De manhã, o autocarro das oito, a tua chávena a secar no balcão; duas chávenas, dois pratos, dois risos reflectidos na janela da manhã. A cadeira nova, junto à estante, com um risco preto no lado esquerdo; eu puxei-a devagar, milímetro a milímetro, como quem testa o peso do que é certo. Uma cadeira, uma cadeira Uma cadeira, uma cadeira Ficou no quarto sem aviso E eu fiquei a olhar o sitio No prédio da Rua da Madalena, ouvi-se uma porta às dez e vinte e três; tu mudaste a loiça na prateleira, e eu aprendi a não perguntar de vez. Uma cadeira, uma cadeira Uma cadeira, uma cadeira Ficou no quarto sem aviso E eu fiquei a olhar o sitio
