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Beatriz Nunes

Sabes o meu café

Grandmother was a fadista

the numbers

bpm
144
key
A# major
energy
0.70
dance
0.83
valence
0.42
vocal at
12.8s
length
3:07
language
Po

lyrics

Na pastelaria da Baixa, o balcão é de mármore, frio

Tu disseste “um galão e meia torrada”, eu fiquei no fio

No dia seguinte, “sem açúcar, e um pingo de canela”

Uma só vez bastou, e a tua mão já sabia a janela

Eu vi-te chegar às oito e vinte, de casaco no braço

A chávena pousada certa, sem pergunta, sem atraso

O teu olhar no meu prato, como quem aprende devagar

E eu no ruído dos azulejos, sem saber te chamar

Sabes o meu café

Sabes o meu café

Sabes o meu café

Sabes o meu café

E eu tremo por dentro

Quando dizes “já sei”

No eléctrico de Alfama, a tarde vem presa no vidro

Tu guardas o meu pedido como quem guarda um abrigo

Na mesa da esquina, o copo riscado pelo sal

E a tua voz tão baixa, mas fica a marcar no meu sal

Sabes o meu café

Sabes o meu café

Sabes o meu café

Sabes o meu café

E eu tremo por dentro

Quando dizes “já sei”

Não foi o açúcar, nem foi a nata, nem foi a rua molhada

Foi o modo como olhaste a chávena e a deixaste alinhada

Eu, que nunca confio em promessas de balcão e de fim

Fiquei presa nesse gesto pequeno, ficando perto de mim

Sabes o meu café

Sabes o meu café

Sabes o meu café

Sabes o meu café

E eu tremo por dentro

Quando dizes “já sei”
Sabes o meu café — Beatriz Nunes · FERAL