Sabes o meu café
Grandmother was a fadista
the numbers
- bpm
- 144
- key
- A# major
- energy
- 0.70
- dance
- 0.83
- valence
- 0.42
- vocal at
- 12.8s
- length
- 3:07
- language
- Po
lyrics
Na pastelaria da Baixa, o balcão é de mármore, frio Tu disseste “um galão e meia torrada”, eu fiquei no fio No dia seguinte, “sem açúcar, e um pingo de canela” Uma só vez bastou, e a tua mão já sabia a janela Eu vi-te chegar às oito e vinte, de casaco no braço A chávena pousada certa, sem pergunta, sem atraso O teu olhar no meu prato, como quem aprende devagar E eu no ruído dos azulejos, sem saber te chamar Sabes o meu café Sabes o meu café Sabes o meu café Sabes o meu café E eu tremo por dentro Quando dizes “já sei” No eléctrico de Alfama, a tarde vem presa no vidro Tu guardas o meu pedido como quem guarda um abrigo Na mesa da esquina, o copo riscado pelo sal E a tua voz tão baixa, mas fica a marcar no meu sal Sabes o meu café Sabes o meu café Sabes o meu café Sabes o meu café E eu tremo por dentro Quando dizes “já sei” Não foi o açúcar, nem foi a nata, nem foi a rua molhada Foi o modo como olhaste a chávena e a deixaste alinhada Eu, que nunca confio em promessas de balcão e de fim Fiquei presa nesse gesto pequeno, ficando perto de mim Sabes o meu café Sabes o meu café Sabes o meu café Sabes o meu café E eu tremo por dentro Quando dizes “já sei”
