Nunca disseste
Grandmother was a fadista
the numbers
- bpm
- 152
- key
- G minor
- energy
- 0.70
- dance
- 0.94
- valence
- 0.49
- vocal at
- 2.8s
- length
- 3:07
- language
- Po
lyrics
Na mesa da cozinha, um prato lascado e o teu casaco no encosto da cadeira. Eu trouxe um teste com vinte e um marcado, tu limpaste os óculos, sem dizer nada de maneira. Mas houve um dia, na porta da escola, a tua mão tremeu no papel dobrado. Não foi abraço, não foi frase solta, foi esse bolso fechado e guardado. Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste mas guardaste a minha foto na carteira. Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste e a tua prova foi tão pequena e certeira. No domingo, no comboio para o Cais do Sodré, vi o teu olhar fugir da minha cara. Na caixa do recibo, em cima do bilhete, estava a minha medalha de escola amarrada. Era só metal, fita azul gasta, e um risco no verso, com a tua letra. Não disseste "orgulho", nem "estás tão alta", mas levaste aquilo como quem protege. Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste mas guardaste a minha foto na carteira. Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste e a tua prova foi tão pequena e certeira. No bolso do avental, junto ao molho das chaves, eu achei o meu desenho com tinta seca. A casa tinha pó no peitoril das janelas, e ali, bem no meio, estava a minha estrela torta e preta. Tu não soubeste dizer. Eu soube ver. Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste mas guardaste a minha foto na carteira. Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste Nunca disseste e a tua prova foi tão pequena e certeira.
